Jetsun Khandro Rinpoche
Sua Eminência Jetsun Khandro RinpocheSobre o Realizar Peregrinações

Karma Shedrup Ling, Norway - 2007
Eu acho que o budismo no mundo moderno está a perigo de tornar-se excessivamente intelectual. Um dos aspectos negativos disto é de que as pessoas parecem ter perdido o entendimento de uma das visões mais fundamentais do budismo – o Karma.
O conceito de karma traz consigo duas coisas – o karma que adquirimos e o karma que acumularemos ou que podemos acumular. Isto refere-se à ações virtuosas e não-virtuosas. Para com ações não-virtuosas, sua purificação é de extrema importância. Da mesma forma, enquanto na existência relativa, devemos estar atentos ao cultivo de virtude, mérito e ações positivas. Algumas pessoas perdem a habilidade na ênfase necessária na compreensão de como estar atentos na ação como também da atenção indispensável para com a purificação, bençãos e méritos que são essencias de serem adquiridos.
Acredito que uma das mais belas formas de refletir sobre o karma negativo que é necessário ser purificado como também do positivo que é indispensável de ser realizado, é a Peregrinação.
Um dos mais benéficos e profundos meios hábeis de adquirir méritos é através da peregrinação.
Eu acho que durante uma peregrinação há um sentimento de grande purificação. Passamos por momentos onde começamos a realmente encontrar a insensatez de todas nossas tendências habituais e a apreciar a simplicidade de ser uma pessoa muito mais honesta e natural. O valor do Dharma é compreendido. Quando o valor do Dharma é entendido e a devoção surge, nossa mente passa pela purificação dentro de um processo completamente natural.
A partir daí, as bençãos de sabedoria dos seres despertos e seus exemplos vivos iluminam nossa mente. Esta é a melhor aquisição de méritos que alguém pode acumular.
Peregrinação relaciona-se também com “esforço”. Nos lugares sagrados de peregrinação frequentemente encontramos um número grande de exemplos vivos do que é o Dharma e do que é viver o Dharma.
Durante uma peregrinação começamos a reconhecer nossas próprias fabricações, as quais trazemos também para nossa meditação. Passamos a olhar de forma muita mais próxima para a relação que temos com nossas próprias práticas e a valorizar mais o que temos. A determinação de praticar melhor definitivamente aumenta durante peregrinações.
E, como sempre, sendo a essência da peregrinação, o Dharma torna-se algo vivo ao invés de um livro mítico ou histórico. Desta forma, o Dharma não torna-se algo que aconteceu simplesmente um longo tempo atrás e que ainda tentamos preserver mas algo que está respirando, que está de fato acontecendo, que ainda está extremamente vibrante e que é realmente algo que faz parte de nossa existência.
Finalmente, acredito que a peregrinação traz vida a muitas das palavras que estudamos, muitas das preces que recitamos e muitas das contemplações que fazemos. Ela torna estes aspectos realmente muito vivos. E, o que é mais inspirador, é que encontramos a nós mesmos realmente unindo-se com o que é, de fato, a essência do Dharma.
Fonte: Khandro Rinpoche on doing pilgrimage
http://www.youtube.com/watch?v=1HMP_xVJFss
